quinta-feira, 31 de março de 2011

Harvard, o sonho possível
Primeira mulher a comandar universidade mais tradicional dos EUA visita São Paulo e diz que dinheiro não é barreira à admissão de brasileiros
Estadão.edu
Harvard está de olho em você. E, sim, você pode estudar lá, parafraseando Barack Obama – que, por sinal, cursou Direito na universidade. A reitora da tradicional instituição americana, Drew Faust, visitou São Paulo na semana passada. Veio conversar com acadêmicos, empresários e estudantes. Para os alunos, deixou uma mensagem clara: “Queremos abrir as portas para os melhores estudantes, quaisquer que sejam seu passaporte e situação social. Não deixamos que o aspecto financeiro seja uma barreira.” Reitora desde 2007, a historiadora Drew é a primeira mulher a comandar Harvard, fundada em 1636. Na sua gestão deu impulso à internacionalização da universidade – o Brasil é o décimo país visitado por ela. E enfrentou um grande desafio: a crise financeira de 2008, que fez secar doações particulares e de empresas, uma das grandes fontes de receita das universidades americanas. Apesar disso, o orçamento de Harvard ainda é mais do que confortável para os padrões brasileiros: US$ 3,7 bilhões.

A reitora garantiu que o abalo dos mercados não afetou os estudantes, porque o auxílio financeiro para eles foi eleito a prioridade número 1 da universidade. Entre os alunos undergraduate (equivalente à nossa graduação), 62% recebem esse apoio atualmente. Estudantes com famílias que ganham menos de U$ 60 mil (cerca de R$ 100 mil) por ano não pagam anuidade. Para aqueles cujos pais ganham até US$ 185 mil (cerca de R$ 300 mil) por ano, o desembolso máximo equivale a 10% da renda. “Não
queremos que os aprovados em Harvard pensem: ‘Meu Deus, peguei uma época dura’”, disse Drew. Ela admitiu uma só mudança. “Temos um café da manhã menos elaborado para os alunos da graduação. Fui conferir e o tal café é quatro vezes maior do que o que tomo em casa. Acho que foi uma mudança perfeitamente suportável”, brincou. Com uma agenda apertada, que incluiu visitas à Pinacoteca e ao Mercado Municipal, a reitora participou basicamente de eventos para convidados. Um deles foi um seminário realizado na quarta-feira, no Insper, na Vila Olímpia, zona sul, promovido pela Fundação Estudar, que apoiou a vinda da comitiva de Harvard ao País. Criada pelos ex-sócios do Banco Garantia e controladores da Ambev, a fundação dá bolsas a estudantes brasileiros selecionados para as melhores universidades do mundo. Um dos patronos da fundação, Jorge Paulo Lemann, de 71 anos, contou no evento sobre sua passagem por Harvard, onde se formou em Economia em 1961. Uma experiência que começou de forma bem pouco convencional. “Jogava muito tênis e surfava muito. Estudava pouco”, disse. “Meu primeiro ano em Harvard foi um horror.” E terminou ainda pior: Lemann foi flagrado atirando bombinhas pela janela do dormitório no fim do ano.

No ano seguinte, o brasileiro desenvolveu um “sistema”. Ouvia ex-alunos e professores antes de escolher as disciplinas, para descobrir o foco do curso. “Descobri que as provas passadas eram arquivadas na biblioteca”, contou.
E descobri que o professor em geral repete as perguntas das provas.” A performance de Lemann melhorou sensivelmente. “Passei para o grupo dos melhores.” Apesar de achar que poderia ter aprendido mais, Lemann considera a passagem pela universidade americana fundamental. “Descobri o poder das ideias”, disse. “Ter um sonho grande dá o mesmo trabalho que ter um sonho pequeno.” Quem ainda não teve contato tão direto sonha ainda mais com Harvard. Deborah Alves, de 18 anos, terminou o ensino médio em 2010 e aplicou para Engenharia no MIT e em Harvard. A primeira já deu sinal verde, e agora ela aguarda resposta de Harvard, que pode sair a qualquer momento. “Deu para ter uma ideia melhor de como é uma aula de Harvard. Acho que prefiro o MIT, mas fiquei bem na dúvida, porque a apresentação do professor Howard Stevenson deu uma boa noção de como é uma aula naquela universidade", disse a estudante, que esteve na apresentação no Insper. "MIT é mais de Engenharia que Harvard, que é mais focada em humanas.” Lucas Hernandes, de 16 anos, está no 3.º ano do ensino médio e já foi por duas vezes medalhista de ouro e uma vez de prata na Olimpíada Brasileira de Física. Ele afirma que gostou da aula do professor Stevenson, especialmente pela forma original como foi tratado o tema ‘sucesso’. “Achei genial a ideia dele de falar dos malabares como metáfora para administrar a vida e a carreira, encaixa-se perfeitamente na realidade. Ele tem uma pegada diferente para falar de assuntos já gastos.”
Interdisciplinar
Coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV do Rio, Ronaldo Lemos, de 34 anos, fez mestrado em Direito em Harvard em 2002. Lá, juntou-se a um grupo que discutia direitos autorais no mundo digital, área na qual o brasileiro é hoje referência internacional. Um aspecto positivo que Lemos ressaltou da universidade foi o caráter interdisciplinar do mestrado, algo que, no seu entender, falta ao ambiente acadêmico do Brasil. “Pesquisa tem de fazer interlocução com políticas públicas e empresas. Faltam pesquisas comprometidas não com o problema, mas com a solução.” Outro participante do seminário foi o reitor da USP, João Grandino Rodas. Ele estudou em diversas instituições dos Estados Unidos e da Europa, mas garante que a passagem pela universidade hoje comandada por Drew foi especial. “A despeito da excelência desses locais, minha estada em Harvard, cursando as matérias que me deram o título de mestre em Direito, em 1978, foi a experiência mais intensa”, afirmou. “Harvard, além de ser uma universidade, é um modo de ser, um estado de espírito, que segue seus antigos alunos por toda a vida.” Na quinta-feira, a reitora teve outro encontro com estudantes que passaram pela universidade americana, dessa vez na Faculdade de Medicina da USP. Definiu depois o grupo como “impressionante”.

Ela foi super acessível”, disse Natascha Silva Sandy, de 24 anos, do último ano de Medicina. “Pediu para a gente contar o que achamos das aulas e como fomos recebidos pelos alunos de lá.” Natascha esteve em Harvard em 2009, fazendo pesquisas em poluição ambiental e urologia. “Os professores elogiavam a gente, diziam que os brasileiros trabalham demais, têm capacidade de resolver coisas”, disse. “As pessoas importantes de lá, de professores a chefes de departamento, são muito mais acessíveis do que aqui. Eles têm uma mentalidade de que o professor ganha no contato com o aluno.” Natascha também viu diferenças nos projetos de pesquisa. “Aqui eles meio que nascem prontos. O professor já tem na cabeça todas as etapas e, às vezes, até o resultado”, disse. “Lá o projeto começa e pode depois tomar uma direção diferente. Se as perspectivas forem interessantes,
tudo bem.” Yasser Calil, de 28, colega de Natascha, também participou de pesquisas sobre poluição ambiental em 2009 em Harvard. Teve um bom exemplo de como os professores são acessíveis com Eric Kandel, ganhador do Nobel de Medicina de 2000. “Depois da aula procurei o Kandel e ficamos conversando. A certa altura, ele contou que os professores estavam em um coquetel e disse: ‘Vamos lá, vamos continuar falando.’”

Quando embarcou para sua primeira viagem internacional, Yasser estava preocupado. “Tinha medo de ser mal recebido, por conta do sobrenome árabe. Pensava: ‘Lá o pessoal é muito exigente e eu sou do Terceiro Mundo.’ Foi tudo ao contrário. Fui tratado muito melhor do que no Brasil, na imigração, pela polícia, pelas pessoas nas ruas”, contou. “Na parte científica, tinha muita liberdade no laboratório. Minhas ideias eram sempre muito bem aceitas. Ao contrário do que acontecia aqui, onde eu sempre fui muito podado.” Iberê Datti, de 25 anos, aluno do 4.º ano de Medicina na USP, esteve em 2009 em Harvard e foi colocado diante de desafios de pesquisa que não encontrou no Brasil. “Trabalhei numa investigação sobre os efeitos de um fármaco no funcionamento do coração. Com o orientador e outros estudantes, aprendi a escrever um paper, a importância da pesquisa e a discussão sobre os resultados. Publicamos no New England Journal of Medicine, foi muito marcante ver meu nome lá”, recorda. Ele ressalta que, além da imersão em outra cultura, aumentou suas chances de tornar a estudar por lá. “Foi uma experiência de vida esta troca de culturas e o convívio com pessoas de outra etnia. Além de fazer contatos no exterior e ter alguns canais abertos para conseguir cartas de recomendação, algo que faz diferença, caso queira voltar.”

Duas mãos. Globalizada pela mistura de nacionalidades no seu campus em Cambridge, perto de Boston, Harvard tem incentivado estudantes e professores a participar de programas científicos no exterior, para conhecer outras realidades. No Brasil, esse processo é capitaneado pelo escritório aberto pela universidade há cinco anos em São Paulo. Uma das experiências bem-sucedidas foi a criação 
de cursos de férias, com professores e estudantes daqui e do exterior. “Dos dois lados é uma coisa transformadora”, diz Jason Dyett, diretor de programas do escritório. Um exemplo da transformação citada por Dyett ocorreu com Ana Gilbertoni, que fez o primeiro curso colaborativo, na área de saúde pública, em janeiro de 2008. “Ela conheceu professoras de Harvard que ficaram impressionadas com sua capacidade. Uma delas escreveu uma carta de recomendação e Ana foi aceita no mestrado em Harvard”, disse Dyett. “Depois entrou numa vaga concorridíssima na Organização Mundial da Saúde.” Aluno do 4.º ano de Engenharia Ambiental da Poli, Felipe Souza Lima, de 28, participou de programas com estudantes de Engenharia de Harvard. O primeiro tinha como foco energia, água e ambiente e foi realizado em São Paulo, Rio, Foz do Iguaçu e Piracicaba. O segundo, sobre desenvolvimento urbano, teve aulas e atividades em São Paulo, Paraty e no Rio.

Fomos à Billings e entramos em favelas ao redor da represa”, disse. “Entramos na Usina de Itaipu, chegamos a 1 metro da turbina. Eles acharam o máximo, lá nunca conseguiriam esse tipo de acesso.” Para Felipe, a diferença de formação ficou clara. “Eles têm uma visão muito ampla e diversificada dos problemas. O brasileiro é, digamos, mais simplista”, disse. “Mas o pessoal de lá não tem muita ideia de como atacar problemas na prática.” Já Patrícia Aguiar, de 22 anos, que está no 5.º ano de Engenharia Ambiental na Poli, fez o último curso de verão imersa em problemas entre Rio e São Paulo. “Pude conhecer melhor os problemas brasileiros. Os estrangeiros estavam muito abertos a entender como os brasileiros percebiam as coisas, muito mais do que eu imaginei”, diz. Segundo ela, a experiência também foi importante para desmistificar o peso que o nome da universidade estrangeira carrega. “Eu já tinha ouvido falar que não é muito difícil o curso e que mesmo sendo de Harvard não é um ‘bicho de 7 cabeças’ como se pinta. Talvez por sermos mais velhos do que os alunos que vieram, acho que tínhamos uma boa bagagem para debater os temas de forma nivelada”, avalia.


Fonte: O Estado de São Paulo, 28/03/2011 - São Paulo SP
O jovem pesquisador precisa fugir do tradicional'
Matemático da IBM nos EUA foi mandado de volta ao Brasil para explorar a possibilidade de criar um laboratório aqui
Sergio Pompeu - Estadão.edu
Claudio Pinhanez, de 47 anos, é matemático formado na USP, com mestrado em Computação e doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston. Depois de quase uma década como pesquisador da IBM nos Estados Unidos, foi mandado de volta ao Brasil para explorar a possibilidade de criar um laboratório aqui. “Parei um pouco minhas pesquisas para entender as necessidades do Brasil, as oportunidades. Conversamos com muitas empresas, muita gente do governo. Agora temos a missão de colocar de pé o projeto.” Veja abaixo trechos da entrevista: Momento atual do laboratório - Estamos a mil, contratando gente, a todo vapor. Continuamos trabalhando nas três áreas mencionadas (na época do anúncio da criação do laboratório): recursos naturais; de smart devices, de microeletrônica, de sensores e dispositivos; e a área de sistemas humanos. Esta última é voltada para grandes eventos, o que inclui Copa, Olimpíada. Mas também para eventos não planejados, tipo inundações. Ou eu tenho algo grande, planejado – Olimpíada, réveillon no Rio – ou um evento tipo inundação, desabamento, que mexe com os sistemas e obriga esses sistemas, tipo tráfego, policiamento e outras áreas, a trabalhar completamente fora do normal. Além dessas três áreas, apareceu uma quarta, que não estava prevista, a de sistemas e serviços, que é exatamente a que eu estou liderando. Ela pega esses grandes sistemas de serviço que existem em torno de nós, que podem ser de TI, banco, comércio, saúde.

Sistemas de serviço - Num sistema fabril você tem seus empregados e infraestrutura de produção dissociadas do seu cliente. O que caracteriza o sistema de serviços é o fato de que no momento em que usufrui, recebe valor, meu cliente está em contato direto com meu sistema de produção, meus empregados, minha infraestrutura. Esses sistemas são mais complicados do que a relação do consumidor com a manufatura: o consumidor está dentro do processo, não dá para tirar ele fora. Numa fábrica eu consigo otimizar minha produção fazendo estoques. Quando meu cliente está dentro do processo eu não posso fazer isso. Um paciente chega ao hospital. Ele entrou no meu processo de produção. É um insumo, vamos dizer. Mas ao contrário do insumo fabril, ele tem suas próprias visões do que é certo ou errado. Como lido com questões de urgência, de contato? Como fazer processos de controle de qualidade? Preciso inventar medidas de satisfação para o meu cliente. Preciso de um modelo complexo, científico, para fazer simulação. Ninguém hoje põe avião no ar sem simular aquilo lá de 500 mil maneiras diferentes. Tem um projeto da IBM em Israel que está olhando para o setor de emergência em um hospital. Está coletando dados por um ano para ver onde os pacientes andam, onde os médicos andam, as enfermeiras andam, para ver onde vão os equipamentos, quando são usados ou não. É uma porção de dados, com sensores, um projeto muito grande. A partir desses dados eles vão reprojetar o setor de emergências. Descobrimos que as enfermeiras andam 8 quilômetros por dia dentro da emergência. Será 
que tem uma maneira de fazer isso de modo mais eficiente? Se a gente não encarar o problema de aumentar a eficiência desses sistemas de serviço que estão em volta da gente, seja de TI, saúde, educação, governo, em 30, 40 anos eles vão estar completamente relapsos.

Formação - Fiz Matemática na USP, depois fiz mestrado em Computação na USP. Dei aula seis anos lá na Departamento de Computação da USP e aí fui para o MIT fazer doutorado, no Media Lab, que é um laboratório interdisciplinar que investiga o futuro, vamos dizer assim. Na década de 90 aquilo realmente funcionou como um caldeirão de invenção e de comunicação do que estava acontecendo para muitas empresas. Muitos CEOs viram pela primeira vez um website lá dentro. Foi bem interessante a experiência de tentar inventar o futuro fazendo o futuro, mesmo que ele não fosse viável economicamente a curto prazo. Depois de concluir o doutorado, em 1999, fiquei até 2008 na IBM Research, contratado para uma vaga de pesquisador. Fiquei em Hawthorne, perto de Nova York.

Perfil da pesquisa industrial - A grande diferença de um laboratório industrial como a IBM é que a gente tem de olhar o impacto científico e o impacto para a empresa. O que você está cria produtos, propriedade intelectual? Mas também se considera a seguinte questão: você está publicando? Ajuda a comunidade científica internacional? Aqui no Brasil a gente quer ter um laboratório com essas duas funções. Enquanto na universidade tem professor dividido entre a função de pesquisar e a de ensinar, aqui a gente está dividido entre a função de ajudar a IBM e de pesquisar, dentro de uma comunidade científica. Uma coisa interessante é que aqui você trabalha lado a lado com gente de altíssimo nível. Na universidade os professores dependem muito de ter alunos que façam projetos para eles e no nível de projeto não há envolvimento muito grande com outros professores, gente no seu nível de carreira, maturidade. Na IBM cheguei para trabalhar com pessoas como John Karat, referência na área de design e interface. De repente estávamos lá rodando um teste de interface para usuários de um sistema e vendo as observações que ele fazia nesse processo. Foi uma tremenda oportunidade de crescimento. Além disso, na IBM, com seus nove laboratórios, a gente aprendeu a trabalhar globalmente. Se preciso de um especialista em banco de dados, pego alguém de Almadén, na Califórnia. Se preciso de um projeto de alguém que entende de web service, pego alguém do laboratório de Israel. Isso ajuda muito um laboratório que está começando, como o do Brasil, e alguns dos nossos pesquisadores vão estar engajados em projetos globais. É claro que vai ter um dia em que eles vão precisar estar acordados às 3 da manhã para se reunir com caras da Índia. Tem uns probleminhas envolvidos (risos), mas tem uma oportunidade de troca, até de troca cultural, muito interessante. 

Seleção - A gente está com muitas vagas em aberto, mas temos um processo de seleção bastante rigoroso e um tanto diferente do
processo de seleção das universidades no Brasil. Aqui, tem um concurso, as pessoas se inscrevem, tem uma banca e uma pessoa é declarada vencedora e recebe a vaga. No nosso sistema, a gente põe uma chamada em áreas em que a gente quer crescer, faz uma espécie de banco de currículos e marca uma entrevista com a pessoa na qual temos interesse. Essa entrevista dura um dia inteiro, o candidato fala com 10, 15 pessoas, daqui e de fora do Brasil e assim a gente avalia e decide. Estamos procurando basicamente gente que já faz doutorado, aprendeu a ser pesquisador, tem uma carreira. A gente recebeu um número bom de currículos, com uma qualidade muito grande, nos surpreendeu. Tem muita gente aí fora que fez doutorado. Uma das coisas importantes para atrair o laboratório para o Brasil foi o fato de que o País hoje tem uma máquina de fazer doutorado muito potente, além dos que vão estudar lá fora. No momento a gente está concentrado em trazer brasileiros, que estão aqui ou fora. Gente que não está interessada em fazer carreira dentro de uma universidade. É importante trabalhar com a universidade e o governo e criar mecanismos dentro do doutorado no Brasil para formar doutores com perfil mais voltado para a indústria. É um trabalho conjunto. O governo já está tomando iniciativas interessantes, como a bolsa de doutorado empresarial. A gente nota que tem gente com esse perfil mais de pesquisador industrial que hoje não se sente atraída pelo doutorado. Diz: “Não quero ser professor.” Não tem nada errado em dar aula, mas tem gente que acha que esse perfil não é o dela.

Momento do Brasil - O Brasil vive um momento muito interessante. Criou uma estrutura básica de produção de pesquisa e de pesquisadores. E agora é o momento de tudo isso ter impacto no Brasil, nas empresas que atuam no Brasil e na população em geral. Esse é o grande desafio que me atrai nesse instante no País, de concretizar esse sonho de uma potência na área de conhecimento. Acho que isso é o que une todos nós neste momento. Construir um grupo de pesquisa como a gente acha que ele tem de ser no Brasil. Não adianta trazer o modelo americano ou japonês. Conselhos a quem quer ser pesquisador - Em primeiro lugar a pessoa deve procurar fazer o programa no melhor lugar possível, com os melhores professores possíveis. É o básico. Mas também é necessário explorar caminhos novos dentro do doutorado. É muito fácil você entrar na universidade e o orientador te dizer: “Ah, consigo bolsa em tal lugar, vai lá.” Você faz isso e acaba entrando na maquininha sem tentar fazer alguma coisa diferente. Forçando os limites de burocracia é possível fazer coisas mais interessantes. Você vai ter de empurrar os limites, mas isso te torna alguém com perfil diferenciado no mercado. A gente viu alguns desses currículos e realmente eles chamam a atenção. Alguém que foi fazer um doutorado sanduíche não nas universidades de sempre, mas num laboratório da França ou do Japão. Ou alguém que foi para os Estados Unidos trabalhar na Nasa. Gente que foge do tradicionalzão, que está tentando caminhos.

Fonte: O Estado de São Paulo, 29/03/2011 - São Paulo SP
China lidera aumento de teses publicadas por países emergentes
País ficou em segundo lugar, atrás dos Estados Unidos, em relatório britânico sobre pesquisas científicas publicadas em revistas internacionais
Estadão.com.br com Reuters
SÃO PAULO - Um relatório da Royal Society, a academia nacional de ciência do Reino Unido, colocou a China em segundo lugar na lista de países que mais publicaram artigos científicos em revistas internacionais entre 2004 e 2008. O país desbancou o Japão, que agora está em quarto lugar, atrás do Reino Unido. Estados Unidos lidera o ranking, embora o número de teses publicadas tenha diminuído. O relatório, intitulado Conhecimento, Redes e Nações: A Colaboração Científica no Século 21, chamou atenção para o crescimento das pesquisas publicadas vindas de países semmuita tradição na área, como Índia, Brasil, Irã e Turquia. "Além do crescimento da China, nós percebemos a ascensão do Sudeste Asiático, do Oriente Médio, do Norte da África e outras nações", disse Chris Llewellyn Smith, um dos responsáveis pelo levantamento. Smith também informou que os investimentos globais na área, entre 2002 e 2007, cresceram em média 45%, enquanto que nos países emergentes este crescimento foi de 100%.

Embora os EUA ainda estejam na frente na 
corrida para a publicação científica, foi verificado uma queda de 5% na contribuição do país, enquanto que a China teve um aumento de cerca de 6% na participação das teses publicadas. O Irã teve o crescimento mais rápido, de acordo com o relatório. Em 1996, o país publicou apenas 736 teses em revistas internacionais enquanto que em 2008 este número subiu para 13.238. "O panorama está mudando. O ramo científico está crescendo e novos jogadores estão aparecendo rapidamente", disse Smith.


Fonte:  O Estado de São Paulo, 29/03/2011 - São Paulo SP 

Curso de Liderança

APRESENTAÇÃO
As organizações estão carentes de lideranças fortes, capazes de apresentar resultados alinhados com as necessidades de mercado. Os participantes terão a oportunidade de entrar em contato com temas atuais, imprescindíveis ao bom desenvolvimento organizacional bem como trocar experiências sobre as mais diversas realidades/experiências pessoais e organizacionais. Trata-se de um curso básico, que prepara para o segundo módulo, já em fase de elaboração.
1. Público-Alvo:
Gestores em geral (administradores, chefes de setor, diretores, coordenadores, supervisores) e demais funcionários que desejam ampliar seus conhecimentos na área específica de liderança.
2. OBJETIVO GERAL
Apresentar aos participantes uma visão geral sobre o processo de Liderança
3. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Sondar o nível de conhecimento intelectual dos participantes no tocante aos conceitos que serão abordados no curso
Propiciar ambiente favorável aos debates acerca dos temas
Diferenciar chefia x liderança
4. Conteúdo de Liderança
Conceitos
Estilos gerenciais
Homens x mulheres - mito ou ciência
Papel do líder enquanto gestor
Funções do líder
Mudanças Organizacionais
Administração da mudança
Agentes da mudança
Resistência
Equipes
Comunicação
5. METODOLOGIA
Aulas expositivas, com troca de experiências, estudos de caso, exposição de filmes de curta duração e debates acerca dos temas abordados.
Instrutota : Simone Dias
Mestra em Administração (UFPE), Graduada em Secretariado (UFPE)
Coordenadora e Professora do Curso de Graduação em Secretariado Executivo (UFPE)
Palestrante e ministrante de vários cursos e palestras
Professora da Graduação em Administração (UFPE)
Ex-coordenadora de graduação e MBA (UFPE), Consultora

Informações Gerais:
• Credenciamento: 18:15h 
• Início: 18:30 às 22h:30
• Carga Horária: 15 horas
• Período: De 05, 06 e 08 de abril.  • Turno: Noturno
Local – SALA DA TREINE – CONSULTORIA E TREINAMENTO – Rua Desembargador João Paes, 197, sala 302, Boa Viagem, Recife - PE, Fones: (81) 3467.3853, 3091.1520,3062.3062.8159, 9975.9206 (CLARO),9824.8403(TIM) e 8790.2881 (OI).
COFFEE-BREAK, nas instalações da TREINE - Consultoria e Treinamento, material didático, certificado e acesso por  02 terminais de INTERNET WI-FI
Hospedagem - Preços especiais para os participantes do curso:
Recife – ONDA MAR HOTEL - Fone: (81)  2128.4848- 08009792833
Vagas - Vagas limitadas a 20 participantes por turma.
As turmas até 30 alunos terão os cursos  desenvolvidos no ONDA MAR HOTEL  em salas especiais.
As turmas serão confirmadas pelo quórum mínimo  de 15 alunos e no máximo 20, com 10 dias úteis, antes da data de início do curso.
FORMA DE PAGAMENTO
Pessoa Jurídica: Boleto Bancário.

Pessoa Física: 3 cheques sem juros, ou cartão (Visa e Master)
Investimento R$ 450,00
Cheque nominal a TREINE-CONSULTORIA. (no dia do curso)
Depósito Bancário: BANCO DO BRASIL S.A ag.: 2811-8, Conta: 26.792-9
(enviar comprovante via fax 81 3467-3853)
Boleto Bancário (vencto. 10 dias – somente pessoa jurídica)
POLÍTICA DE DESCONTOS:
2 a 3 inscrições: 5% de desconto
4 a 5 inscrições: 8% de desconto
Acima de 5 inscrições 10% de desconto
Nota: Os descontos acima não são cumulativos entre as faixas, nem com outros descontos. A aplicação em conjunto dessa "Política de Descontos" com valores já abrangidos por Descontos Especiais será objeto de análise e aprovação prévia da empresa.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Processo de revalidação de diplomas poderá ser revisto

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 29, que solicitará aos reitores das universidades brasileiras maior agilidade no processo de revalidação de diplomas de cursos feitos em instituições estrangeiras. A declaração foi dada durante visita à Universidade de Coimbra, em Portugal, onde estudantes brasileiros fizeram a reivindicação à presidente Dilma Rousseff e ao próprio ministro da Educação.

Os estudantes afirmaram que após a conclusão de cursos de graduação, mestrado e doutorado no exterior os processos de reconhecimento no Brasil são demorados e muito burocráticos. O ministro Fernando Haddad explicou que o reconhecimento é realizado pelas universidades e que é necessário avaliar diversos aspectos do currículo de cada curso para fazer a correspondência entre ambos; no entanto, concordou que a análise pode ser mais rápida.

“Vou conversar com os reitores para que sejam avaliadas formas de agilizar o processo. Acredito que, como complemento, seja importante alterar a legislação que trata do assunto”, declarou.

O processo de revalidação de diplomas estrangeiros no Brasil é uma responsabilidade das universidades públicas que ministram cursos de graduação reconhecidos na mesma área de conhecimento ou em área afim. Caso haja dúvida quanto à similaridade do curso, a instituição pode solicitar a realização de exames e provas, com o objetivo de caracterizar a equivalência. A instituição tem seis meses para se manifestar, a partir da data de abertura do processo.

MEC Assessoria de Imprensa

Potências científicas emergentes

ciência dos países em desenvolvimento é destaque no relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century, produzido pela Royal Society, a academia de ciências do Reino Unido, e divulgado no dia 28. De acordo com o documento, Brasil, China, Índia e Coreia do Sul estão “emergindo como atores principais no mundo científico para rivalizar com as superpotências tradicionais” – Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.

Na China, o investimento em pesquisa e desenvolvimento tem crescido a uma média de 20% ao ano desde 1999, chegando aos US$ 100 bilhões (ou 1,44% do PIB) em 2007. E o país pretende investir ainda mais, alcançando um investimento no setor de 2,5% do PIB até 2020.

“O crescimento da China é sem dúvida o mais impressionante, mas Brasil, Índia e Coreia do Sul estão rapidamente no mesmo caminho e (com base na simples extrapolação de tendências existentes) poderão ultrapassar a produção [científica] da França e do Japão no início da próxima década”, disse o relatório.

“O Brasil, na linha de sua aspiração de se tornar uma ‘economia do conhecimento natural’, com base em seus recursos naturais e ambientais, está trabalhando para aumentar o investimento em pesquisa de 1,4% do PIB, em 2007, para 2,5%, em 2022”, apontou o relatório – segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o país aplicou 1,1% do PIB em ciência em 2007.

O documento também identifica outros países que estão se destacando no cenário internacional, ainda que não tenham uma sólida base no setor, como Cingapura, Irã, Tunísia e Turquia.

“O mundo científico está mudando e novos atores estão surgindo rapidamente. Além da emergência da China, notamos evoluções no Sudeste Asiático, no Oriente Médio e no norte da África, entre outros. O aumento da pesquisa e da colaboração científica, que pode nos ajudar a encontrar soluções para os desafios globais, é muito bem-vindo”, disse Sir Chris Llewellyn Smith, que presidiu o grupo consultor do estudo.

“Os dados do relatório da Royal Society são interessantes e registram o progresso que o Brasil vem tendo nos últimos 20 anos no aumento de sua produção científica. Alguma cautela deve ser adotada entretanto, pois, após 2008, com a crise econômica mundial, pode ter havido mudanças nas tendências extrapoladas. Além disso, o relatório parece ter se baseado muito em fontes secundárias em vez de usar as fontes primárias de dados, que seriam mais confiáveis”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.

Artigos publicados

Uma grande variedade de dados foi analisada para o levantamento, incluindo tendências no número de publicações científicas produzidas por todos os países.

Os dados de publicações e citações foram produzidos e analisados em colaboração da Royal Society com a Elsevier, utilizando a base Scopus e resumos da literatura científica global analisada por pares.

Os dados indicam mudanças na autoria dos artigos científicos entre os períodos de 1993-2003 e 2004-2008. Embora os Estados Unidos ainda continuem na liderança, sua parcela na produção científica mundial caiu de 26% para 21% entre os períodos. A China, por sua vez, passou de sexto para o segundo lugar, pulando de 4,4% para 10,2% do total. O Reino Unido continua em terceiro, mas com queda de 7,1% para 6,5%.

O relatório da Royal Society também avaliou dados referentes a citações dos artigos, indicador frequentemente usado para avaliar a qualidade das públicações e o reconhecimento dos trabalhos dos pesquisadores por seus pares.

Nos dois períodos analisados, os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar no ranking, seguidos pelo Reino Unido. Mas os dois tiveram queda nos números apresentados, enquanto se percebe o crescimento dos países emergentes nas citações, especialmente da China.

Concentração da pesquisa

O relatório destaca também a concentração das atividades científicas dentro dos países, como nos Estados Unidos, onde três quartos do investimento em ciência e tecnologia estão concentrados em dez estados, com a Califórnia sozinha sendo responsável por mais de um quinto do total nacional.

“Na maioria dos países há concentração da atividade de pesquisa em determinados locais. Moscou responde por 50% dos artigos publicados na Rússia; Teerã, Praga, Budapeste e Buenos Aires chegam a 40%, e Londres, Pequim, Paris e São Paulo, a 20% da produção nacional”, apontou.

De acordo com o relatório, o notável crescimento de São Paulo, que pulou, na última década, 21 posições na lista das cidades que mais publicam artigos científicos no mundo, “reflete o rápido crescimento da atividade científica no Brasil e o papel da cidade como a capital do estado com a mais forte tradição científica”.

Nesse ponto, a publicação destaca a definição, pela Constituição do Estado de São Paulo de 1947, de um orçamento próprio para a FAPESP, baseado na transferência de 0,5% do total da receita tributária do Estado, percentual posteriormente elevado para 1%, pela Constituição de 1989.

Segundo o texto, na busca competitiva global por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, instalações e talentos científicos, são cidades e regiões, e não países, as unidades mais relevantes.

“As cidades e regiões líderes científicas são bem-sucedidas porque facilitam o intercâmbio entre instituições e organizações. Elas geralmente oferecem uma concentração elevada de talento diversificado, capaz de apoiar uma economia baseada no conhecimento”, indicou.

Colaboração internacional

A publicação também enfatiza a crescente importância da colaboração internacional na condução e no impacto da ciência global e sua capacidade para resolver desafios globais, tais como segurança energética, mudanças climáticas e perda de biodiversidade.

O relatório concluiu que a ciência está se tornando cada vez mais global, com pesquisas cada vez mais extensas e conduzidas em mais locais. A colaboração tem crescido rapidamente e atualmente 35% dos artigos publicados em periódicos internacionais resultam da cooperação entre pesquisadores e grupos de pesquisa. Há 15 anos, o total era de 25%.

“A ciência é um empreendimento global. Hoje, há mais de 7 milhões de pesquisadores no mundo, que utilizam um investimento combinado em pesquisa e desenvolvimento superior a US$ 1 trilhão (um aumento de 45% desde 2002), leem e publicam em cerca de 25 mil periódicos científicos por ano”, indicou.

“Esses pesquisadores colaboram uns com os outros, motivados pelo desejo de trabalhar com as melhores pessoas e instalações no mundo, e pela curiosidade, buscando novos conhecimentos que permitam avançar seu campo ou lidar com problemas específicos.”

Língua da pesquisa

O relatório ressalva que, embora o inglês seja a “língua franca” da pesquisa, há ainda barreiras linguísticas importantes para a ciência mundial. No Brasil e na América Latina, por exemplo, há dificuldade em avaliar o impacto da pesquisa produzida no país e na região, uma vez que a maioria dos artigos é publicada em português ou espanhol e não é capturada pelas métricas globais.

As barreiras impostas pelas diferentes línguas ajudam a fazer com que a colaboração entre os países em desenvolvimento ainda seja mínima. “Enquanto as relações entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) cresceram recentemente, elas perdem em comparação com o volume da colaboração entre esses países individualmente e seus parceiros no G7”, apontou.

O relatório Knowledge, Networks and Nations: Global scientific collaboration in the 21st century está disponível em: http://royalsociety.org/policy/reports/knowledge-networks-nations.

Agência FAPESP

Plataforma de conhecimento

O Centro Edelstein de Ciências Humanas, no Rio de Janeiro, unificou suas quatro bibliotecas virtuais em um único portal na internet. De acordo com o diretor do Centro Edelstein, Bernardo Sorj, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o objetivo da iniciativa foi facilitar o acesso gratuito de pesquisadores ao acervo de mais de 40 mil textos que o Centro desenvolveu nos últimos anos em parceria com outras instituições com base na constatação de que as publicações científicas brasileiras e latino-americanas na área de ciências humanas não atingem o público do exterior.

“Fala-se muito no Brasil sobre globalização, sobre internacionalização da ciência e impactos intelectuais além das fronteiras, mas o fato é que no mundo científico se lê pouco português. Inclusive, fizemos uma pesquisa nos Estados Unidos que indicou que muitos latino-americanistas entendem espanhol, mas não compreendem português”, disse Sorj, à Agência FAPESP.

Para possibilitar o acesso da comunidade internacional às revistas em ciências sociais da América Latina, o Centro Edelstein desenvolveu há três anos, em parceria com a Scientific Eletronic Library Online (SciELO) – um programa da FAPESP conduzido em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) –, uma biblioteca virtual de artigos de revistas latino-americanas traduzidos para o inglês.

Denominada SciELO Social Sciences English Edition, o serviço conta com mais de 600 artigos publicados em 30 revistas científicas, sendo 15 brasileiras e as outras 15 latino-americanas. “São os próprios editores das revistas que indicam os artigos para publicação na biblioteca. A única condição para publicarmos é que os artigos sejam de autores brasileiros”, disse Sorj.

Em seguida à base de artigos, o Centro lançou, em parceria com o Instituto Fernando Henrique Cardoso, a biblioteca virtual Plataforma Democrática, cujo acervo é composto por artigos e trabalhos acadêmicos sobre democracia na América Latina. “Ela já reúne quase 20 mil textos e cem vídeos e está em constante expansão”, disse.

No ano passado, o Centro Edelstein iniciou o desenvolvimento de uma terceira biblioteca virtual, composta por livros de autores brasileiros ou residentes no Brasil que estão fora de circulação. Os direitos autorais dos livros que compõem a biblioteca retornaram aos autores ou estão nas mãos de editoras, que autorizaram o Centro a publicá-los na internet.

“Reeditamos essas obras na biblioteca virtual, que soma 110 títulos de autores brasileiros em todas as áreas das ciências sociais”, disse Sorj.

A quarta biblioteca criada pelo Centro disponibiliza mais de 20 mil publicações, em diversas línguas, sobre sociedade da informação. E, de acordo com o diretor, foi criada para suprir a insuficiência de bibliografia sobre o tema.

Acesso internacional

As bibliotecas virtuais do Centro Edelstein registram de 6 mil a 10 mil acessos de pesquisadores localizados por mês, do Brasil e de diversos outros países. Em média, os acessos duram entre 6 e 10 minutos, que é muito superior ao tempo de acesso registrado pelos sites convencionais, de acordo com Sorj.

“Nossos acessos são de qualidade e realizados a partir de países como China, Japão, Rússia e Estados Unidos, entre diversos outros. Dificilmente as publicações brasileiras em meio impresso chegariam a esses países”, apontou.

Segundo Bernardo Sorj, as publicações científicas impressas ainda gozam de um prestígio no mundo acadêmico que não condiz com a realidade, em que a tendência é publicar cada vez mais eletronicamente, na internet.

“Acreditamos que o meio virtual seja o mais adequado, o mais econômico, o mais democrático e o que atinge melhor o objetivo de uma publicação científica, que é o de disseminar a produção do conhecimento entre os cientistas da forma mais ampla possivel”, afirmou.

O professor Sorj conta que, ao criar as bibliotecas virtuais, o Centro Edelstein pretende demonstrar a viabilidade e relevância do projeto e estimular outras instituições a lançar iniciativas semelhantes.

As quatro bibliotecas virtuais do Centro Edelstein podem ser acessadas em: http://www.bvce.org/.

Agência FAPESP